Hoje assisti a um vídeo que me tocou muito, ele fala sobre etiquetas psiquiátricas.

http://www.youtube.com/watch?v=P_X500l2rhQ

Mas ele não fala somente sobre psiquiatria, mas sobre todas as formas de marcas de exclusão criadas pelo nosso senso de normalidade e a nossa percepção do que vem a ser patologia. Estou arrepiado até agora por causa dele, afinal de contas “era uma criança com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade” (com todas as aspas do mundo) que tive a sorte de não ter tomado ritalina.

Quando me deparo com vídeos como esse, cada vez em mim fica mais forte a idéia de que a “doença mental” é um caminho que não foi percorrido ao todo, como se existisse uma força que não encontrou uma direção dentro de nós, como se essa força não pudesse se expressar de modo pleno devido as barreiras existentes – em nós mesmos, na sociedade, na família… – e por não ser expressa é que ela grita, ela transborda o indivíduo nas formas que atualmente damos o nome de depressão, ansiedade, pânico, mania… e por aí vai, nomes não faltam pra tentar normalizar e abafar esse força que clama por um caminho, que deseja uma produção, produção vida, produção de diferentes formas de relacionamento e principalmente produção de um mundo.

Quando percebo o quanto essas forças estão possuindo os indivíduos, meu coração se alegra, pois sei que existe possibilidade de mudança, de criação. Mesmo que seja muito difícil, ainda, permitir que essa força crie e forje inúmeros caminhos, olho com esperança para esse transbordamento pois como diz o filosofo indiano Jiddu Krishnamurt:

“Não é sinal de saúde estar bem ajustado a uma sociedade profundamente doente”

Namastê

Confesso que queria muito escrever sobre o que é a terapia floral antes de fazer a descrição da primeira essência floral que sintonizei. Mas de algum modo sinto que deveria escrever sobre a Paineira antes de qualquer outra coisa, por isso mãos a obra.

Conheci a Paineira por de um modo muito peculiar. Minha professora de floral adorava essa essência, vivia falando dela então, como que por contagio, comecei a gostar dela, a descrição desse floral dada pela Maria Grilo, criadora do sistema floral Filhas de Gaia (sistema na qual esse floral foi pela primeira vez sintonizado) era muito bonita, porém eu nunca havia visto uma flor ou árvore do paineira, pelo menos era isso que eu achava.

Ao mesmo tempo eu criei uma afinidade muito grande com uma árvore que fica em frente ao local onde minha mão trabalha, ela era alta, com espinhos no tronco e algumas tinham certa curvatura no tronco que pareciam muito estar grávidas. Comecei a usar a imagem daquele tronco forte, com pequenos veios verdes parecendo uma escama juntamente com os espinhos pra imaginar um escudo em locais onde eu me sentia muito exaurido, fez muito efeito. E adivinhem, essa árvore era a paineira. Foi muito emocionante pra eu descobrir que a essência floral que eu amava a descrição vinha de uma árvore tão linda que havia virado minha companheira em um momento em que eu precisava me sentir protegido e amparado.

Claro que resolvi sintonizar o floral. Fiz tudo conforme o mandado, flores que não tocaram o chão, água, luz do sol. O floral estava pronto e eu estava muito orgulhoso de ter feito meu primeiro floral. Agora só faltava eu mesmo ter minhas próprias definições sobre como aquele floral agia. Comecei a tomá-lo e fiz algumas meditações próximas as arvores de onde retirei as flores, desse processo escrevi a seguinte nota sobre o efeito desse floral:

“A primeira vez que vi a árvore, senti sua casca como um grande escudo. Ela nos trona acolhido pelo Grande Espírito (Deus, Luz-Amor, Espírito Santo), é como uma criança que corre para a mãe após se machucar e é acolhido por ela. Amparo e acolhimento são palavras que descrevem a energia desse floral.

Assim como a dor do machucado é diferente da dor do remédio, esse floral transforma a dor em uma forma de cuidado e de lição.

Ele nos dá a impressão de estarmos sendo regidos por algo maior, um ser superior que nos guia, nos orienta e nos ampara. È o floral do colo, da aceitação de si como se é. Ele nos acolhe e nos mostra que somos amados.

Ameniza a angustia da solidão, é um floral que deva ser dado quando se necessita de um abraço. De certa forma esse floral me lembra uma musica que minha mãe cantava pra mim quando eu era pequeno que dizia: Encosta sua cabecinha no meu ombro e chora, e conta logo suas magoas todas para mim.

Depois desse primeiro momento de acolhimento esse floral nos traz a mensagem de que precisamos caminhar, que temos um porto seguro dentro de nós que nos ampara, ele nos diz pra seguir em frente e que as pedras no caminho são só pedras. Assim como uma mãe, que após ter acolhido o filho que caiu de bicicleta, o incentiva a continuar andando.”

Nem preciso dizer que esse floral trabalha o aspecto materno do nosso ser. Trabalha nossa relação com nossa mãe, com o feminino no que diz respeito à nutrição e com o aspecto amoroso e acolhedor de Deus.

E para concluir uma breve descrição desse floral dada pela Maria Grilo no site www.filhasdegaia.com sobre a paineira:

“Restabelece um vínculo com o amor, o aconchego e a proteção da Grande Mãe, para que nossa Criança Interior sinta-se segura para desabrochar e expressar o melhor de si no aqui e agora, em uma tonalidade de paz, suavidade e harmonia com a Vida que nos cerca. Esta conexão com a Mãe interior permite-nos tirar nosso foco das dores, medos e conflitos do passado e vivenciar um sentimento de conforto no aqui e agora. ”

É um floral muito gostoso de se tomar, “ele acolchoa a alma” foi uma expressão que ouvi, realmente, é essa a sensação que tenho quando o tomo.

- Eu me sinto ridículo ficando parado no semáforo fechado a noite enquanto todo mundo fura ele.

- Então o fure.

- Ah! Mas eu não gosto.

- Então não o fure.

- Por que parece ser tão difícil fazer o que queremos ou achamos certo quando ninguém mais faz?

Devo confessar que depois de 7 dias rezando para o espírito santo guiar minha vida nada de diferente aconteceu. Ainda estou de férias, ainda acordo todo dia na hora do almoço e infelizmente ainda sou gordinho e tenho barriga. Nada mudou. Objetivamente falando está tudo igual, sem tirar nem por.

Mas de alguma forma sinto algo diferente na minha forma de pensar e agir. Sempre achei que ser guiado pelo Espírito Santo (pelo universo, pela luz-amor ou seja lá que nome você goste de dar à instancia superior) era simplesmente dizer “que seja feita a vossa vontade”, sentar no sofá e esperar. Esperar que o livro certo venha em minha mão, esperar encontrar a pessoa certa no local certo, ou simplesmente esperar que o Espírito Santo faça algo, porque afinal de contas é a vontade dele e não a minha, logo, quem tem que fazer algo é ele. No máximo, ele pode é dar uma ordem, pedir pra eu fazer algo, e eu, com muito bom grado farei, afinal, fui eu que propus que fosse feita a vontade dele.

Durante esta semana compreendi que esse comportamento de espera se parece com o da letra de uma musica cantada pela Janis Joplin na qual ela diz “oh! Senhor, porque você não me compra uma TV a cores… eu espero pela entrega todo dia até as três…”. Na verdade, só me dei conta que pensava assim quando, depois de alguns pequenos eventos na minha vida pessoal, eu quis romper esse contrato de “seja feita a vossa vontade”. Na minha cabeça ele não estava dando certo, eu não alcancei os objetivos que queria.

Mas pêra aí? A vontade não é do Espírito Santo? Como assim você tem objetivos quanto a isso? Como você pode manter expectativas e desejos em cima de uma coisa que não é sua?

Foi o que uma voz dentro da minha cabeça me disse. Ela tinha razão. Eu não queria entregar minha vida nas mãos de Deus. Eu queria tomar minha vida entre as mãos, eu queria produzi-la, queria ser um agente ativo e realizador dela. E tudo que eu sempre quis do Espírito Santo, mesmo sem ter plena consciência disso, não era que ele criasse pra mim uma vida repleta de luz e harmonia, mas sim, que ele guiasse minhas mãos, me guiasse, para que eu mesmo construir uma vida, um abrigo de luz e harmonia para mim e para quem estiver ao meu redor.

Agora é isso que peço todos os dias, será que vou conseguir?

Essa é uma das frases mais bonitas e mais difíceis de serem praticadas do pai nosso.

Particularmente ligo a primeira parte do pai nosso às três faces de Deus, da qual nos fala o cristianismo. Então o “Santificado seja o vosso nome” lembra-me a figura de Deus Pai, a fonte de luz-amor infinito, aquele que é. A frase “venha a nós o vosso reino” me remete a figura de Deus Filho, aquele que veio a Terra para nos mostrar o reino dos céus través da demonstração do seu amor.

Já “seja feita a sua vontade, assim na terra como no céu” me lembra o Espírito Santo, pois a frase me remete a abertura de nossas vidas para que essa força de amor nos transforme. Essa é a frase mais difícil de ser praticada, na minha opinião. Afinal, santificar o nome e tentar amar os outros plenamente é algo que todos nós já estamos relativamente acostumados. Mas deixamos de ser os “donos de nossas próprias vidas” é muito difícil.

Pela minha dificuldade em abdicar do controle, eu me proponho a usar essa frase em minhas meditações durante uma semana, uma frase de ordem para se pensar a respeito, mas mais do que isso, uma frase pra se vivenciar. Farei isso de um modo bem simples, de manhã depois da minha oração matinal dedicarei 5 minutos a essa frase dizendo:

Eu me abro e permito que o espírito santo, o espírito daquele que é, se manifeste em mim e em minha vida. E que seja feita a vontade dele e não a minha.

E depois repetirei pelos 5 minutos seguintes a frase: Que seja feita a vossa vontade. Depois desse periodo eu contarei o que senti, se mudou algo ou se não em minha vida. Se você leu esse texto e decidiu ter essa experiência também, eu ficaria encantado em saber como se sentiu, o que mudou na sua vida e se essa vivencia alterou de alguma forma seu modo de relacionar com Deus.

Já estava atrasado, minha mãe havia se esquecido de ligar pro meu irmão esperar em baixo do prédio do amigo dele. Tive que esperar ele descer e levá-lo pra casa antes de ir ao cinema. Já havia começado a seção quando entrei no estacionamento do escritório do meu pai, que fica a uma quadra do shopping onde iria ver o filme. Estacionei o mais rápido que pude e o menos torto que consegui, sai correndo do carro. Esqueci o controle do portão, voltei para pegá-lo, seria impossível sair da garagem sem ele. Tentei abrir novamente o portão com o controle, nada. Decidi pegar o elevador, ele estava no nono andar, até chegar ao subsolo seria uma eternidade. Não consegui esperar parado, andava de um lado a outro. Acabei indo pro téreo de escadas. Se minha mãe não tivesse se esquecido de ligar pro meu irmão, eu não estaria nessa correria. “ è tão difícil assim lembrar de fazer uma ligação?” pensei, essa falta de memória já estava me irritando a alguns dias, afinal, começara a atrapalha a MINHA vida…  “eu havia receitado um floral pra a memória, ela não tomou porque não quis, então não me venha reclamar e pedir desculpinhas”. Olhei o sinal, verde, mas não vinha nenhum carro, pisei na faixa de pedestre e fui correndinho (aquela forma de andar que não é um caminhar, mas também não se pode chamar de corrida), veio um carro na direção oposto a qual eu estava olhando, a rua havia trocado de mão. O carro freou, levei um susto, quase fui atropelado. Eu tremia. Pedi desculpas à motorista. Terminei de atravessar a rua. “Por pouco perco todo o filme todo e não só o começo”. Respirei fundo. Toda a minha raiva havia passado, afinal, o que são 5 minutos de filme perdido. “Nem tudo é possível controlar, às vezes a única coisa possível de se fazer é respirar fundo seguir a vida.” Respirei fundo mais uma vez, fui ao cinema, e adivinhem, nem tinha acabado o trailer ainda.

Eu já havia sido iniciado em cristais etéreos a distancia por um conhecido dos Estados Unidos, foi (e ainda é) uma delicia trabalhar com eles, era só pensar no nome do cristal desejado e em alguns segundos sentia a energia dele em minhas mãos. O mais incrível ainda era quando eu visualizava a pedra, a cor, a imagem dela, era quase milagrosa a energia que eu sentia em minhas mãos, usava os cristais pra tudo, colocava sua energia sobre os chakras, em minha casa, curava ressacas e dor de estomago de alguns amigos. Era lindo.

Porém, com o tempo fui deixando eles de lado. Havia entrado no curso de terapia floral e minha atenção se voltou totalmente para os florais, que alias são dádivas maravilhosas. Foi no curso que conheci o Reiki, uma técnica de cura simples e muito eficaz. Todavia, assim como os cristais etéreos era necessário ser iniciado (achava eu na época), mas a iniciação era, pra mim, muito cara. Meus pais jamais me dariam mais de 200 reais para eu fazer um curso que tinha menos de 12 horas de duração. Ou seja, teria que pagar com meu próprio dinheiro, coisa que não tinha na época, 200 reais significavam ficar dois meses sem ir ao cinema, jantar fora de casa ou comprar qualquer livro. Fiquei um bom tempo desejando muito fazer a iniciação em Reiki, e para suprir parte dessa vontade lia tudo que conseguia sobre o assunto, técnicas, história, símbolos…

Nesse meio tempo tive uma vivencia muito interessante: estava sentado num pastel com uns amigos meus quando houve um acidente em frente ao local onde estávamos, tinha muita gente socorrendo o acidentado fisicamente, só restava a mim o amparo energético-espiritual, enviei todos os cristais etéreos que achei necessário, mas faltava algo, faltava a energia de um floral que ajudaria muito naquela situação. Mas eu não tinha nenhum frasco comigo, tão pouco havia sido iniciado em florais etéreos. Então simplesmente pedi, do fundo da minha alma que eu tivesse a essência de clematis (que evita a perda de conciencia) em minhas mão, assim como tinha os cristais etéreos. Foi fantástico, logo que pedi senti um súbito aumento de temperatura em meu corpo e logo minhas mãos estavam repletas de uma energia que eu não conhecia antes. Fiquei repleto de uma imensa gratidão e enviei a energia ao local do acidente.

Essa experiência balançou minhas convicções sobre a necessidade de iniciações, já que tive acesso a energia dos florais etéreos sem ser iniciado. Aliado a isso o pessoal do curso de floral também estava no começo de outro estudo, o do “Um curso em milagres”. E eles me ensinaram, ou fizeram me recordar que tudo vem da divina providencia, todas as energias vêm do universo, de Deus, da fonte de luz-amor que no curso é chamada de Espírito Santo. Isso me fez pensar que toda essa necessidade de iniciações são necessidades humanas, são frutos do medo humano e da necessidade de burocratizar tudo, até mesmo a energia de amor vinda de Deus, a energia de amor divina que se transforma em força de cura dentro dos nossos corações, e que atualmente é mais conhecida como Reiki.

Então fiz do Espírito Santo meu guia, e simplesmente pedi, pedi pra poder trabalhar com o Reiki. Foi realmente fantástica a mudança que isso me causou, tanto de me entregar nos braços da divina providencia quanto o trabalho com essa força de cura. Depois de umas duas semanas lendo incessantemente fui levado até lugares que falavam sobre o ritual de auto-sintonização em Reiki, não vi aquilo como estritamente necessário, mas eu queria de certa forma um ritual, um marco. O fiz, meditei diariamente com os símbolos durante 21 dias, pedindo ampliação dos meus canais energéticos. Foi perfeito.

A energia que fluía através de minhas mãos cresceu ao longo das meditações e do ritual, eu me sentia um verdadeiro reikiano, e, apesar de não ter nenhum certificado de nenhum mestre humano, eu sei que sou um reikiano, pois tenho certeza que quem me iniciou, quem me permitiu trabalhar com essa energia, foi a força mais suprema e mais pura.

Voltei da praia semana passada, vivi coisas muito lindas lá, presenciei energias muito fortes e muito antigas. Tive várias crises de cura, algumas fofas, outras que me deixaram 4 dias com desarranjo intestinal. Mas o que vim escrever não foi sobre como eu me senti tendo que correr várias vezes para o banheiro, eu vim contar algo que observei e que muito me encantou.

Estava sentado na areia quando vi um menino, ele devia ter aproximadamente 8 anos. Ele cavava um buraco na areia. Uma coisa típica de criança na praia, e de alguns adultos, ou semi-adultos como eu. Modéstia a parte sou um ótimo cavador, afinal, são no mínimo 10 anos de pratica em cavar buracos na areia.

O menino ia até o mar, enchia uma garrafa pet de 2 litros de água, voltava para a areia, despejava TODA a água e depois começava a cavar. Ele dava duas cavados (conjugação recém criada que indica: colocar a mão dentro do buraco e tirar um punhado de areia, ou seja, ele tirou dois punhados de areia do buraco), e a água já tinha sido absorvido pela areia,  fazendo-o voltar pro mar e encher novamente a garrafa. Eu pensava: “esse menino ta enchendo a garrafa errado, tá demorando muito pra ela ficar cheia…” Eu quase fui lá ajudá-lo, como podia alguém não conseguir cavar um buraco direito? Mas decidi esperar.

Depois de umas 3 vezes que ele voltou com a garrafa cheia, ele finalmente aprendeu que não era bom jogar toda água, que o mais interessante a fazer era jogar um pouco, cavar, jogar mais um pouco… Depois de perceber o quanto eu estava subjulgando o menino porque ele não acertou na primeira vez, comecei a reparar mais no que ele fazia. Foi só então que percebi o quão divertido era encher a garrafa, ele não queria somente a água, ele a enchia como se fosse um foguete debaixo da água (o que, teoricamente o tornaria um submarino, mas, que seja) era outra brincadeira dentro da brincadeira de cavar.

Quando me dei conta de que quase estraguei toda a diversão do menino no momento em que quis ir “ensinar” o “jeito certo” de se cavar, lembrei-me o quando eu gostava de criar meus próprios modos de cavar. Afinal o mais divertido mesmo é aprender a fazer por conta, lidar com os desafios e tentar superá-los. Se eu tivesse lhe lado a formula de como fazer o buraco, ele não teria que desenvolve-la, parte da brincadeira estaria acabada.

Fui mais além um pouco e fiquei pensando de como eu me sentia mal quando me davam as coisas prontas, quando eu não podia experimentar várias formas de fazer as coisas. Pensei em como, no fim das contas, apesar de eu praguejar muito, eu sempre achei a tentativa-e-erro algo lindo. E pensei, que bom que em nossa vida, espiritualmente falando, temos essa liberdade de tentarmos, de experimentarmos, com alguns conselhos e pequenas e sutis dicas que nos aparecem no caminho, mas a decisão, o desenvolvimento sempre é nosso. Afinal, se fosse diferente, não teria tanta graça.

Enquanto terminava de escrever o esboço desse texto, o menino conseguiu cavar até o ponto onde a areia encontra o nível da água, nesse nível a areia é naturalmente molhada e não é mais necessário buscar água com baldes ou garrafas. Chegar nesse nível era o que mais gostava quando era criança (e gosto ainda, cavei super fundo e alcancei 3 vezes esse encontro da areia com a água esse ano, foi um dos meus múltiplos micro-prazeres da praia).

Ao longo do meu caminho tive uma época que costumava escrever poemas e crônicas, isso era muito importante pra mim, cada texto de certa forma explicitava e clareava o que eu vivia e a lição que tinha aprendido ao longo da jornada de minha alma. Eu os publiquei em um blog: www.umapitada.blospot.com

“Quem sou eu?

Sou o fruto da sociedade 20 por 80
Sou o fruto da igualdade, liberdade e fraternidade

Sou o fruto das conjunções astrológicas
Sou o fruto da soma da minha data de nascimento
Sou o fruto do Destino
Sou o fruto do meu livre arbítrio

Sou o fruto da mídia

Sou o fruto das contradições
Sou fruto das convicções

Sou o fruto das escolas românticas e pós-romanticas
Sou o fruto do cientificismo

Sou o fruto da lousa e do giz
Sou o fruto do intervalo e do pátio

Sou o fruto do idealismo
Sou o fruto do materialismo

Sou o fruto de Platão
Sou o fruto de Aristóteles

Sou fruto de empirismo
Sou fruto do existencialismo

Sou o fruto do positivismo

Sou o fruto do pragmático
Sou o fruto do simbólico
Sou o fruto do abstrato

Sou o fruto do prático
Sou o fruto do teórico

Sou o fruto da tecnologia
Sou o fruto da magia

Sou o fruto de um espermatozóide e um óvulo
Sou o fruto da minha cultura

Sou uma ideologia, uma cultura, uma história, um sentimento, vários sentimentos, sou o que visto, o que como, o que vivo, o que digo, o que amo, o que respiro, o que prego, o que leio, o que faço, o que vivo

E mesmo assim não sou nada.”

Escrevi esse texto em 2008, eu estava no primeiro ano do curso de pscologia, estava aprendendo sobre as coisas que determinavam como uma pessoa era, ouvia vários professores meus dizendo que éramos determinados pela sociedade em que vivemos, pela nossa dinâmica familiar, pelo nosso nível de escolaridade…

Eu entendia o que diziam, fazia sentido tudo aquilo, mas no fundo algo me incomodava profundamente, algo dentro de mim dizia: “não é bem assim”. Resolvi dar atenção pra ela, pra essa voz interna que na época era bem baixa, quase inaudível que me descobri único. Sim existiam muitas coisas no mundo ao meu redor que me compõe como um indivíduo, mas eu não era só isso, eu era mais.

O mais lindo de tudo isso foi que ao me descobrir único, singular, eu descobri um mundo de pessoas únicas. Olhava pras pessoas diretamente, como se olhasse para dentro delas, os aglomerados de pessoas já não existiam, eu não enxergava mais a minha sala, o meu grupo de amigos, eu conseguia ver cada pessoa ali como excepcional com seus desejos, medos, anseios, poesia e beleza particulares.

“”Inevitável é a morte para os que nascem; todo o morrer é um nascer – pelo que, não deves entristecer-te por causa do inevitável.” Krishna

“Inevitável é a transformação para os que vivem; todo transformar é um viver – pelo que, não deves entristecer-te por causa do inevitável – tentar evitar evitar a mudança é não viver” Daniel”

No período que escrevi isso, estava percebendo que o mundo era fluxo, mudança e processualidade, nada estava parado, não existia o “sempre o mesmo”, pois tudo mudava tudo era novo a cada segundo.

“Eu o vi passar, jamais vi um menino tão lindo. Eu o vi passar e o mirei fixamente. Joguei em seu corpo todos os meus desejos, todos os meus anseios e todos os meus sonhos. Mas… Esqueci de lembrar que ali, naquele corpo, naquela carne, morava uma pessoa.

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A beleza está no pedestal, não no que está sobre ele. Mas quando a pessoa desce dele, ou quando a tiramos de lá. Não há nada mais lindo que esse humano que vive, que sofre, que ama. Não há nada mais lindo que esse humano que pulsa.”

Descobri, então, que as pessoas são muito mais bonitas quando não esperamos nada delas, quando não desejamos nada delas, quando simplesmente as deixamos ser.

“Silêncio

Fazia muito tempo que não ficava em silêncio
Talvez pelo medo que ele me causava
Talvez pela dor que ele trazia

Mas agora…
Me senti tão bem, tão comigo, tão em paz
Que pude ouvir minhas asas se abrindo”

O poder do silencio interno, a coisa mias linda que existe.

“Montanha Russa

Subia! sentia a corrente da montanha russa levar meu carro pra cima. Tinha acabado de sair de um vale e ia em direção a crista. A crista estava próxima. Não, não quero chegar na crista, a sensação de subir é tão boa. É magnífica! Quero ficar parado aqui, mas se eu parar… só haverá dor! Devo seguir meu fluxo! Isso mesmo, o fluxo! Se eu me permitir,
a crista chega, depois eu serei lançado ao vale, mas logo logo outra crista vai chegar de novo.
Entre tantos altos e baixos posso escolher a vida com menos sofrimento, com menos aflição. Creio que não é tão difícil assim… mas também não é fácil. É só se permitir e seguir o fluxo, com uma boa dose de incensos, cartas de tarot, noites olhando as estrelas, e uma deliciosa primavera. Bem. Acho que essa receita não serve pra todo mundo… então… qual a sua receita pra andar nessa montanha-russa infinita?”

Seguir o fluxo, não estagnar, entregar-me aos processos internos que me ocorrem, vivenciá-los. Como uma vez li no texto do Osho, se olharmos diretamente pra dor, ela se torna bela, ela deixa de ser dor. Foi o que aprendi nesse período da minha vida, é vivenciando os vales e as cristas como parte da vida, diminuímos os sofrimentos causados pelos vales.

“Ode a quem respira

Ode aos que trazem suas cores e suas flores na pele
Pois eu já não as trago, eu já não as mostro
Não que não as tenha
Elas ainda pulsam dentro de mim

Em um deserto, flores não devem ficar a vista
Se somente uma flor se mostra ; morre
Se todas se mostram; não é deserto
É primavera!”

Esse foi um período bem tenso pra mim, me sentia atacado pelo mundo, então me escondi, refugiei-me em mim. Mas foi nesse período que me deparei com o mais belo e o mais horrível dentro de mim mesmo, foram muitas lagrimas, mas que hoje vejo que me fizeram bem, pois foi um período de grande crescimento.

“Água da chuva

Gostava da água da chuva, gostava de lavar suas roupas com ela, a achava muito melhor do que aquela água que vinha pela torneira.

Achava que aquela água que vinha com a chuva era sagrada, com dons de cura. Mágica!

Não sabia ela que a magia não estava na água que usava, mas no ato de lavar suas roupas.”

Foi quando aprendi que o ato de buscar me conhecer e buscar ser mais pleno era mais importante do que os instrumentos que eu utilizava.

“Consciência

Meu corpo se encheu de água do mar, jorrando por todos os poros. Um pequeno homem de luz entrou pelo topo da minha cabeça, e começou a nadar naquele meu mar. Como se fosse algo natural àquela criaturinha de luz se expandiu e tornou todo o meu corpo luz. Minhas mãos formigavam. Meu corpo não jorrava mais água pelos poros, mas sim luz.
Foi quando então que vi olhos, negros como a noite, cheios de lagrimas, cheios de dor. As lágrimas borravam toda a figura que começava a ganhar cor, tornar-se uma borboleta. Com suas asas coloridas começou a voar ao meu redor e pousou nas minhas cortas, bateu asas mais algumas vezes e grudou-se em minha pele. Ela agora fazia parte de mim.
Como era libertador ter uma borboleta fazendo parte de mim. Estava sentindo a liberdade tão intensamente que nem notei que havia um logo do meu lado, um lobo cinza, que me olhava com olhos ternos e ao mesmo tempo olhava ao redor como quem vigia. Senti-me grato por ele estar ali. Havia uma cobra junto com ele, não sei ao certo qual era sua cor, só sei que ela me envolvia com um circulo. Sem que eu fizesse nada ela entrou pela base da minha coluna e subiu até o topo de minha cabeça. Meu corpo tremia, uma sensação de força e poder irradiavam em meu ser. Era prazeroso, mas assustava.
Senti então necessidade de deitar. E assim que me deitei vi luzes sobre mim, elas ardiam como fogo, mas não queimavam. Alojaram-se em várias partes do meu corpo e traziam mais energia praquele corpo que já estava repleto de luz. Senti-me pleno, senti que fazia parte do mundo, senti que era um com o universo.
Quando levantei, não havia mais luzes, cores, nem mesmo asas de borboleta. Mas havia grandes asas, lindas e que refletiam todas as cores do arco-íris. E novamente me senti grato por ver todas as minhas verdadeiras cores.”

Esse é o relato de uma meditação que vivencia.

“A volta de Dionísio

Já fazia mais de um ano que ele havia partido, toda a minha revolta e minha dor já tinham se assentado. Eu já não sofria mais.
No dia primeiro de dezembro, dia mundial de combate a AIDS, ele voltou a minha mente. Eu sabia que não era somente por causa do dia, hiavia algo mais. Passei o dia todo me debatendo, como um animal que apesar de não saber onde está, sabe que está preso de alguma forma. A noite caiu, fui pra minha aula de floral. Aprendi a essência Gorse, é para aqueles que acreditam que não vale a pena lutar por mais nada. Eu o vi em seus últimos dias na descrição do perfil negativo desse floral: a vida era pesada, um fardo, algo que não era mais possível suportar. Fui ao banheiro e chorei. “Se eu tivesse conhecido os florais antes…”, “ Se eu tivesse sido um pouco mais maduro…” Enxuguei as lagrimas e voltei a aula.
Passei dois meses com uma angustia dentro de mim, era como se eu tivesse uma mariposa se debatendo dentro do meu corpo desejando liberdade. Não sabia o porque dela estar ali, nem mesmo o que a prendia, afinal, “eu já havia me despido da grande maioria dos meus antigos padrões”. Não havia vela, não havia meditação, prece ou incenso que tirasse aquela mariposa de mim. Já estava me habituado a ela.

Comecei a tomar Star of bethlehem, o floral da limpeza da alma, foi como uma chuva depois de um dia quente. A mariposa, mesmo assim, não saia de dentro de mim, ao contrario, ela se debatia cada vez mais com esse floral. Viajei. Fui pra Bahia e a mariposa se acalmou com um ramo de arruda de uma baiana cheia de axé. Como era bom respirar novamente, sem toda aquele estardalhaço que as assas dela faziam.

Em uma manha chuvosa, em uma praia semideserta, com falésias atrás mim, o vento soprando sobre meu rosto, o mar agitado e as ondas molhando meus pés, foi que finalmente compreendi. Era preciso que eu libertasse para poder ser livre. Coloquei minha mão sobre meu peito e respirei fundo. Pela primeira vez, me senti livre de toda culpa. Star of bethlehem mostrou-me outra de suas fases, além de ser como a chuva, era como um bálsamo que ao mesmo que tempo que conforta, faz arder às feridas, para que eles se tornem vivas e possam finalmente cicatrizar-se por completo. Aquela mariposa saio de mim,voou livre, rumo a um local longe do meu controle. Longe dos meus braços, que querendo confortar e acolher, acabaram sufocando. Longe da minha carência que a aprisionava. Eu finalmente libertei parte do Filho de Dionísio que eu ainda guardava em mim por insegurança, por medo do novo. Senti uma energia terna me envolvendo, era como um abraço caloroso de quem se despede, vi essa energia indo para um local além da minha compreensão. Não consegui segurar a lagrima que escorreu e molhou meu sorriso.
O vento sussurrou em meu ouvido o que me pareceu a música mais apropriada para a situação, e eu cantei, embalado pela energia do momento:

Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim

De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás”

Esse foi é o relato de uma experiência linda que tive com o floral  Star of bethlehem a respeito de um grande amigo meu que morreu de AIDS.

“Amor

Havia uma flor. Bela, tão bela que me completava e me preenchia. Resolvi, de súbito, pegá-la. Sem nem mesmo ter tempo de respirar, levei-a ao nariz. Aspirei um cheiro doce. Amargo, suave, intenso… picante. Esse aroma inundou meus pulmões, encheu minha alma.
Levei-a pra casa, coloquei em um vaso. Mas, ela não era bonita naquele vaso… era tão somente a lembrança daquela flor que peguei no caminho de casa. A lembrança me bastava. E o cheiro, o cheiro era doce, amargo, suave, intenso, picante, sem cheiro e enchia a minha casa, os meus pulmões, não mais a minha alma. A casa estava perfumada e isso me bastava.
Um dia, a flor secou. Não lembrava mais a flor que eu havia colhido, tampouco cheirava algo. Era simplesmente algo morto, parado. Inerte. Resolvi tirá-la dalí, mas… o que as visitas iriam pensar ao ver um vaso sem flor? Deixei-a, então. Ela preenchia o vaso e isso me bastava.
Seca. Tão seca a flor estava, que me secava por dentro. Me secava, me cortava a alma.
Joguei-a fora. De imediato, um alivio. Mas foi terrível pra mim ver o vaso vazio… o que as visitas iriam pensar?
Havia uma flor. bela… tão bela que me completava e me preenchia. Que reanimava minha alma cortada pela outra flor. Deixei-a ali, para que não secasse em um vaso.
Para que não me secasse a alma.”

Nesse período, eu aprendi que amar é deixar as pessoas serem como elas são e não é tentar mudá-las para o que eu quero que elas sejam, mas deixá-las ser. Aprendi isso infelizmente com muita dor, foi uma das coisas mais dolorosas que aprendi. Devo esse crescimento a uma grande amiga minha, a Paula, ela me ensinou o que é o amor livre e que ele não se resume a pessoa com a qual eu me relaciono amorosa e sexualmente, mas que é uma forma de se relacionar com todas as pessoas que encontro, conheço, amo e curo.

Essas foram lições que tive, ela se repetiram várias vezes ao longo da minha jornada, são no mínimo 5 anos de peregrinação. Eles se repetem pois volta e meia me esqueço delas. volta e meia esqueço-me da existência do humano que vai além do meu desejo e do que espero dele, às vezes esqueço de que as pessoas não precisam ser curadas porque são felizes como são, e muitas vezes eu esqueço de que a amizade e o amor devem ser dados sem se pedir nada em troca, sem pedir reciprocidade ou dependência. E é por isso que busco sempre ter consciência dos meus atos, na busca de sempre praticar as lições que o universo me ensinou.

Durante muito tempo fui o que chamam de curador fujão, o mundo precisava de minha ajuda, do meu conhecimento, todos precisavam que eu os curasse era o que eu pensava. Por causa disso eu estava sempre voltado para os outros, para tudo que não fosse eu. A cada dia que me debruçava sobre o mundo externo esquecia completamente meu mundo interno. Minha alma então murchava, esvaziava-se e eu, o “curado”, estava doente e não sabia.

Não sei exatamente quando, não sei exatamente onde, mas de algum modo percebi que esquecera de mim no meio do caminho, esquecera que eu deveria me curar. Compreendi que o caminho da cura é um processo continuo e constante em busca da luz. Desde então, passarem-se dois anos, dois anos que me debrucei sobre mim mesmo, sobre quem eu sou, sou meus dramas de controle, sobre a minha fuga de mim mesmo, enfim, sobre o que abafava a minha alma, ou pelo menos, sobre aquilo que percebi que abafava minha alma.

Esse blog pretende ser um diário de bordo, um dispositivo de troca, no qual as minhas vivencias sirvam de luz e inspiração para outros caminhos. Um local que me possibilite conhecer novas pessoas e fazer novos amigos e assim encontrar  luz e amor em textos e conversas ao longo de minha jornada.

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